Porquê adotar agile?

Você decidiu que deseja adotar métodos ágeis. Na verdade quem decidiu mesmo foi seu chefe (ugh) ou o time todo (legal!). De qualquer maneira você decidiu embarcar na jornada. Vai fazer um cursinho, de repente ler um livro e aí começar a utilizar métodos ágeis, certo?

Calma, gafanhoto. Antes disso, é importante se perguntar PORQUÊ. Continuar lendo

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Descoberta do Conhecimento

Este é o segundo artigo da série com minha releitura do Manifesto Ágil. Por favor deixe seu feedback para que eu possa melhorá-lo.

Valor do manifesto

  • Working software over comprehensive documentation

Princípios do manifesto

  • Deliver working software frequently, (…)
  • Working software is the primary measure of progress

O que é um software que funciona?

Um software, para ser considerado funcional, precisa atender aos requisitos do usuário. Alguns dicionários definem requisito como condição e/ou exigência que deve ser satisfeita para determinado fim. As condições e exigências que devem ser atendidas são determinadas pelo negócio do usuário. Se forem atendidas, tais condições e exigências irão trazer valor ao negócio. Um software que funciona agrega valor ao negócio do usuário. 

Como o software agrega valor para o negócio?

Como traduzir o conhecimento tácito do usuário em conhecimento explícito nas linhas de código do software que está sendo implementado? A verdade é que esse processo de “tradução” carrega um grande número de suposições acerca do que o usuário quer. Suposições essas que são influenciadas pela qualidade da comunicação que estabelecemos durante o processo. A chave para a descoberta deste conhecimento explícito é diminuir ao máximo o tempo do ciclo de “tradução”, de modo que o usuário possa validar nossas suposições. À medida que o usuário valida temos a descoberta do conhecimento e isso se torna valor para a organização. Agregamos valor para o negócio através da descoberta do conhecimento, que é explicitado através de entregas rápidas e contínuas de software.

E a documentação?

Responda essa pergunta: quando uma documentação é considerada fator de sucesso em um projeto de software, que características ela deve possuir?

Revisitando o Manifesto Ágil

Mais de dez anos após o Manifesto Ágil e a ainda somos questionados sobre o sucesso do movimento. De vez em quando ouço pessoas dizendo “agile não funciona”. Pra mim esta afirmação não faz sentido algum. Agile não é uma “coisa” que, aplicada a algo que não está funcionando, a corrige e faz com que a tal “coisa” passe a funcionar. Neste artigo afirmo que os princípios e valores do Manifesto Ágil (desde então rotulados como ágeis) devem ser tratados pelas organizações como uma competência, tanto pessoal como coletiva.

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Processo versus Fluxo

Este é o primeiro artigo da série com minha releitura do Manifesto Ágil. Por favor deixe seu feedback para que eu possa melhorá-lo.

Valor do manifesto

  • Individuals and interactions over processes and tools

Princípios do manifesto

  • Build projects around motivated individuals. Give them the environment and support they need, and trust them to get the job done.
  • The best architectures, requirements, and designs emerge from self-organizing teams.
  • At regular intervals, the team reflects on how to become more effective, then tunes and adjusts its behavior accordingly.

Introdução

Dia desses li em algum lugar que as organizações e seus times devem dar foco aos resultados. Essa afirmação é perigosa pois pode gerar como consequência ações cujos fins justifiquem os meios.  Acho que o resultado pretendido deve ser encarado como um mapa para que o time possa revisar sua ação contínua e constantemente. É desse jeito que concordo com a idéia de “foco no resultado”.

Eduardo Galeano foi muito feliz com a seguinte analogia:

“A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.”

É fundamental darmos atenção ao ato de caminhar. Refletir sobre esse ato. Com que qualidade estamos caminhando? Estamos nos aproximando ou afastando do horizonte desejado (nossas metas, objetivos, resultados)? Aprofundando mais um pouco, caminhar para esse horizonte nos aproxima ou afasta de nossos valores, missão, visão? Os caminhantes compartilham do mesmo horizonte?

Manifesto Ágil

Levando esses questionamentos para uma discussão sobre o primeiro valor do Manifesto Ágil (people over process) é possível justificar porque devemos valorizar mais pessoas do que processos ou ferramentas. O ato de caminhar é feito durante a jornada, por pessoas que estão vivendo o processo. Já o processo é o caminho planejado antes de iniciarmos o “caminhar”, muitas vezes feito por alguém que não irá participar da jornada.

Acredito que devemos esclarecer melhor o conceito de processo quando o citamos no primeiro valor do manifesto. Existe o processo concebido, um conjunto de passos, sequências e regras que devem ser seguidos para um produto se movimentar de um estado para outro. Podemos chamá-lo simplesmente de processo. Esse é o plano, o caminho. E existe a execução do processo, que é o movimento do produto de um estado para outro. Podemos chamá-lo de fluxo. Esse é o ato de “caminhar”.

Teoria e Prática

Então temos o processo – a teoria – e o fluxo – a prática. Teorias devem descrever o maior número possível de fenômenos e além disso devem prever com máximo de exatidão o resultado de futuros fenômenos. As melhores teorias são aquelas que cumprem bem esses dois requisitos. Mas cada novo fenômeno que se aplica determinada teoria é uma oportunidade de refutá-la. Nesse sentido, as teorias estão constantemente sendo validadas.

Do mesmo modo, processos contém hipóteses que serão validadas durante sua execução. Por isso, devemos investir na competência crítica e política das pessoas que fazem o fluxo para melhorar o processo/teoria. Daí a importância das pessoas acima do processo!

Além disso, a teoria deve ser criada preferencialmente pelas pessoas que a praticam. Não sendo possível, que estas pessoas pelo menos tenham poder de decisão para mudar a teoria quando descobrirem que ela foi refutada.

Gestão do Fluxo

Concluo o artigo enfatizando que devemos sim gerenciar o fluxo, e não gerenciar por processo. Qual a diferença entre esses tipos de gestão?

Gerenciar Fluxo é dar autonomia e poder às pessoas que o estão executando para enxergar falhas e implementar melhorias. Gerenciar Fluxo é permitir a crítica dos atuais objetivos e a sugestão de novos resultados/horizontes. Gerenciar Fluxo é investir em flexibilidade e folga para promover criatividade e inovação, fatores essenciais para a vantagem competitiva da organização.

Já gerenciar por processo é achar culpados por não cumprirem o que estava escrito e determinado. É resistir a mudanças, controlar tempo, mente e trabalho para impôr planos e regras pré-concebidos.

Em suma, gerenciar fluxo é o valorizar mais pessoas e suas interações que processos e ferramentas!

Evento da Rio Agile sobre Team Building e Reuniões Produtivas

Na última quarta-feira estive na Ideais para ouvir a palestra do Rafael Nascimento (@rafanasil) sobre Team Building e a palestra da Leslie Stein sobre Reuniões Produtivas, evento promovido pela comunidade Rio Agile (@rioagile). Com o atraso do Rafael por conta do trânsito na cidade ainda tivemos oportunidade de um bate-papo bastante inspirador sobre estimativas ágeis puxado pelo Manoel Pimentel, Rodrigo de Toledo, Elias Nogueira e outro colega que não conhecia (alguém me ajuda aqui?).

Conforme prometido aos colegas de trabalho que não puderam comparecer, incluo o mapa mental da palestra do @rafanasil. Depois coloco o da Leslie Stein. Sintam-se à vontade para comentar e sugerir mudanças no mapa, galera!

http://www.xmind.net/m/TZTg/

Perguntas que gostaria de fazer aos candidatos

Cinco perguntas que gostaria de fazer para os candidatos às eleições:

  • que pessoas, livros, filmes inspiram você?
  • qual o seu propósito de vida?
  • o que faz você feliz?
  • ao final de seu mandato como prefeito, se houvesse apenas uma coisa que pudesse realizar, o que seria?
  • imagine-se no seu próprio funeral; o que gostaria que estivesse escrito em sua lápide?

Explico.

Acredito na pessoa como ser de transformação da realidade em que vivemos. No final das contas qualquer instituição será reflexo das pessoas e os relacionamentos entre si mesmos e entre o mundo. As respostas às perguntas acima irão refletir o que essa pessoa acredita, seus princípios e valores.

Meu voto irá pro candidato mais alinhado às minhas idéias e crenças.

Como imagino a Agile Brazil daqui 10 anos

Na sexta-feira, 07 de setembro, tive a honra de participar de um momento bastante inspirador do Agile Brazil 2012, o painel “Agile Brazil daqui a 10 anos”. Não tive oportunidade de falar no dia mas gostaria de deixar minha contribuição compartilhando como imagino a conferência no futuro.

Em relação a tendências, vejo a Agile Brazil do futuro discutindo e compartilhando experiências de sucesso (e fracasso) na implantação de métodos ágeis em grandes empresas, burocráticas e hierárquicas, sejam ligadas ao governo ou não. A ausência de poucas palestras sobre esse tópico na conferência de 2012 me deixou preocupado: será que temos poucas experiências de implantação de métodos ágeis em grandes organizações? Acho que não. Então porquê não compartilhamos tais experiências? Será que o caminho é o empreendedorismo para fora das grandes empresas (como indicado pela quantidade de palestras e relatos sobre o tema)? Os cursos e conferências, além de trazerem conhecimento e fundamentos, também trazem inspiração para aqueles que são agentes de mudança. Como trabalho em uma empresa grande, me sinto responsável pelo desenvolvimento desse tema dentro da empresa. Desta maneira me vejo no ano que vem compartilhando minhas experiências na adoção de métodos ágeis onde trabalho.

Em relação a temas, vejo o agile brazil do futuro discutindo e compartilhando experiências de sucesso e fracasso na adoção de métodos ágeis em outros setores das organizações que não TI, como já vimos acontecer este ano com palestras de marketing, psicologia (rh) e outras. Provavelmente não será rotulado como agile, mas quem se importa com rótulos? Os princípios e valores são os mais importantes. Além disso, no futuro vejo palestras e trilhas da conferência abordando Pensamento Sistêmico, modelo Cynefin, Radical Management, Management 3.0, e Gestão do Conhecimento. Alguns desses temas já vêm sendo citados, mas o enfoque poderia ser mais didático, introduzindo e aprofundando-os para que os agilistas brasileiros incluam esse material em seus modelos mentais.

Em relação à organização da conferência, vejo o Agile Brazil continuando a ser democrático e inclusivo. Ela deve ser sem limite de inscrições. Ela deve ser espaço em que líderes locais e nacionais renovem suas energias. Ela deve ser também espaço de surgimento de novos líderes. Ela deve continuar fomentando conferências regionais para difusão e renovação de temas e líderes.