Processo versus Fluxo

Este é o primeiro artigo da série com minha releitura do Manifesto Ágil. Por favor deixe seu feedback para que eu possa melhorá-lo.

Valor do manifesto

  • Individuals and interactions over processes and tools

Princípios do manifesto

  • Build projects around motivated individuals. Give them the environment and support they need, and trust them to get the job done.
  • The best architectures, requirements, and designs emerge from self-organizing teams.
  • At regular intervals, the team reflects on how to become more effective, then tunes and adjusts its behavior accordingly.

Introdução

Dia desses li em algum lugar que as organizações e seus times devem dar foco aos resultados. Essa afirmação é perigosa pois pode gerar como consequência ações cujos fins justifiquem os meios.  Acho que o resultado pretendido deve ser encarado como um mapa para que o time possa revisar sua ação contínua e constantemente. É desse jeito que concordo com a idéia de “foco no resultado”.

Eduardo Galeano foi muito feliz com a seguinte analogia:

“A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.”

É fundamental darmos atenção ao ato de caminhar. Refletir sobre esse ato. Com que qualidade estamos caminhando? Estamos nos aproximando ou afastando do horizonte desejado (nossas metas, objetivos, resultados)? Aprofundando mais um pouco, caminhar para esse horizonte nos aproxima ou afasta de nossos valores, missão, visão? Os caminhantes compartilham do mesmo horizonte?

Manifesto Ágil

Levando esses questionamentos para uma discussão sobre o primeiro valor do Manifesto Ágil (people over process) é possível justificar porque devemos valorizar mais pessoas do que processos ou ferramentas. O ato de caminhar é feito durante a jornada, por pessoas que estão vivendo o processo. Já o processo é o caminho planejado antes de iniciarmos o “caminhar”, muitas vezes feito por alguém que não irá participar da jornada.

Acredito que devemos esclarecer melhor o conceito de processo quando o citamos no primeiro valor do manifesto. Existe o processo concebido, um conjunto de passos, sequências e regras que devem ser seguidos para um produto se movimentar de um estado para outro. Podemos chamá-lo simplesmente de processo. Esse é o plano, o caminho. E existe a execução do processo, que é o movimento do produto de um estado para outro. Podemos chamá-lo de fluxo. Esse é o ato de “caminhar”.

Teoria e Prática

Então temos o processo – a teoria – e o fluxo – a prática. Teorias devem descrever o maior número possível de fenômenos e além disso devem prever com máximo de exatidão o resultado de futuros fenômenos. As melhores teorias são aquelas que cumprem bem esses dois requisitos. Mas cada novo fenômeno que se aplica determinada teoria é uma oportunidade de refutá-la. Nesse sentido, as teorias estão constantemente sendo validadas.

Do mesmo modo, processos contém hipóteses que serão validadas durante sua execução. Por isso, devemos investir na competência crítica e política das pessoas que fazem o fluxo para melhorar o processo/teoria. Daí a importância das pessoas acima do processo!

Além disso, a teoria deve ser criada preferencialmente pelas pessoas que a praticam. Não sendo possível, que estas pessoas pelo menos tenham poder de decisão para mudar a teoria quando descobrirem que ela foi refutada.

Gestão do Fluxo

Concluo o artigo enfatizando que devemos sim gerenciar o fluxo, e não gerenciar por processo. Qual a diferença entre esses tipos de gestão?

Gerenciar Fluxo é dar autonomia e poder às pessoas que o estão executando para enxergar falhas e implementar melhorias. Gerenciar Fluxo é permitir a crítica dos atuais objetivos e a sugestão de novos resultados/horizontes. Gerenciar Fluxo é investir em flexibilidade e folga para promover criatividade e inovação, fatores essenciais para a vantagem competitiva da organização.

Já gerenciar por processo é achar culpados por não cumprirem o que estava escrito e determinado. É resistir a mudanças, controlar tempo, mente e trabalho para impôr planos e regras pré-concebidos.

Em suma, gerenciar fluxo é o valorizar mais pessoas e suas interações que processos e ferramentas!

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Um pensamento sobre “Processo versus Fluxo

  1. Pingback: Revisitando o Manifesto Ágil « Desenvolvendo Idéias

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